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Revista Praxis Nº 2
... só duas palavras
Maria Armanda Saint-Maurice
Neste segundo número da PRAXIS aproveito para saudar calorosamente a
doutora Deolinda Serralheiro, directora do ISCRA, que orientou a
criação desta jovem revista, tendo surgido como sua directora no
primeiro número.
Ao tomar as rédeas desta publicação, cujas orientações continuarão a
ser fundamentalmente as mesmas, pensei abordar sob vários aspectos a
temática do Natal: um Natal que todos festejam, no Ocidente, mesmo os
adeptos de outras religiões, reunindo a família e trocando presentes.
Contudo, quão pouco se sabe, mesmo entre muitos católicos, do Natal
cristão! D. António Marcelino abre, pois, este número alargando aos
homens de boa-vontade, como queriam os anjos de Lc 2,14, a boa nova da
alegria do nascimento do Deus-menino. Uma mensagem para todos os
homens e uma mensagem para todas as épocas: também para esta nossa
pós-modernidade. Mas João Duque chama-lhe pós-cristianismo e lembra
que o Natal cristão, como “cerne da humanidade”, celebrado em família,
pode ser antídoto para a “des-realização” e a “tele-existência” que
assaltam o nosso tempo, de “gnosticismo extremo”. Outro desses
antídotos é sem dúvida o gesto em direcção ao outro e a partilha dos
bens. Georgino Rocha dá a mão a são João Crisóstomo para estudar o
tema da propriedade como serviço, candente na Doutrina Social da
Igreja. A sua contribuição nasce da Oração de Sapiência apresentada na
abertura do ano académico de 2004-2005 no ISCRA. E Joaquim Martins
aborda o Natal com um olhar de catequeta: como dar vida verdadeira e
significado cristão aos símbolos natalícios, omnipresentes durante a
respectiva quadra? José Manuel Marques Pereira debruça-se sobre a
espera que é o Advento, memória da vinda do Senhor mas sobretudo
esperança da sua vinda escatológica, que nos mantém expectantes, na
vigilância, na fortaleza. E Henrique Pinto Rema põe a sua erudição ao
serviço do único doutor da Igreja português, santo António: o santo
que é representado com o Menino nos braços, como nos falou do Natal? O
Menino é o alvo da imensa atenção do Natal: a vida mística conhece o
momento misterioso em que o cristão recebe o menino nos braços, o
momento da maternidade divina. A ele dedico as minhas “breves
considerações” sobre este tema. Este está também presente no tema
escolhido por Carlos H. do C. Silva em “Renascer para uma vida nova”,
em que se propõe “não meditar o nascimento, mas a regeneração da Vida
em nós”.
Ao tratar de livros, nas últimas páginas, Júlio Franclim do Couto e
Pacheco analisa o romance que dá pelo título de Código da Vinci e
aponta algumas das suas imprecisões, mentiras grosseiras e erros
crassos. Para avisar o leitor e convidá-lo a fazer constar... Em
Livros & Livros, teremos, a partir deste número, recensões de obras
que podem interessar aos nossos leitores. Estas recensões
agradecemo-las a J. M. Marques Pereira, Luís Manuel Pereira da Silva e
Maria Hermínia Pedro.
E last but not least Clara Meneres, a escultora que em breve integrará
o corpo docente do ISCRA com funções de especial responsabilidade,
desenhou uma “Natividade” que é a sua forma de exprimir a ternura e a
alegria de Natal. Essa ternura e essa alegria que transformam a noite
de Natal, para quem está atento, numa verdadeira experiência
espiritual.
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